Legião Urbana

MAIS DO MESMO
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/Marcelo Bonfá

Hei menino branco o que é que você faz aqui
Subindo o morro prá tentar se divertir
Mas já disse que não tem
E você ainda quer mais
Por que você não me deixa em paz ?

Desses vinte anos nenhum foi feito prá mim
E agora você quer que eu fique igual a você
É mesmo. Como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar conta dos doentes?
E quando tem chacina de adolescentes
Como é que você se sente?

Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?

Ah. bondade sua me explicar com tanta determinação
Exatamente o que eu sinto, como penso como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim
E agora você quer um retrato do país
Mas queimaram o filme
E enquanto isto na enfermaria
Todos os doentes estão cantando sucessos populares
(e todos os índios foram mortos).
MAURÍCIO
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Já não sei dizer se ainda sei sentir.
O meu coração já não me pertence. 
Já não quer mais me obedecer. 
Parece agora estar tão cansado quanto eu.

Até pensei que era mais por não saber. 
Que ainda sou capaz de acreditar. 
Me sinto tão só. 
E dizem que a solidão até que me cai bem.

Ás vezes faço planos. 
Ás vezes quero ir. 
Para algum país distante e voltar a ser feliz.

Já não sei dizer o que aconteceu. 
Se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu. 
Se meu desejo então já se realizou. 
O que fazer depois, prá onde é que eu vou? 

Eu vi você voltar prá mim.

 

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MENINOS E MENINAS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Quero me encontrar mas não sei onde estou. 
Vem comigo procurar um lugar mais calmo. 
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita. / Tenho quase certeza que eu não sou daqui.

Acho que gosto de S. Paulo. E gosto de S. João. 
Gosto de S. Francisco. E S. Sebastião. 
E eu gosto de meninos e meninas.

Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim prá sempre. 
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente. 
Estou cansado de bater e ninguém abrir. 
Você me deixou sentindo tanto frio. 
Não sei mais o que dizer.

Te fiz comida. Velei teu sono. Fui teu amigo. 
Te levei comigo e me diz: Prá mim o que é que ficou?

Me deixa ver como viver é bom. 
Não é a vida como está e sim as coisas como são.
Você não quis tentar me ajudar.
Então a culpa é de quem? A culpa é de quem?

Eu canto em português errado. 
Acho que o imperfeito não participa do passado. 
Troco as pessoas. Troco os pronomes.

Preciso de oxigênio. 
Preciso ter amigos. 
Preciso ter dinheiro. 
Preciso de carinho. 

Acho que te amava. 
Agora acho que te odeio. 
São tudo pequenas coisas. 
E tudo deve passar.

Acho que gosto de S. Paulo. Gosto de S. João. 
Gosto de S. Francisco. E S. Sebastião. 
E eu gosto de meninos e meninas.

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O SENHOR DA GUERRA
Renato Russo

Existe alguém esperando por você
Que vai comprar a sua juventude
E convencê-lo a vencer

Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças com armas na mão
Mas explicam novamente que a guerra gera empregos
Aumenta a produção

Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Pra que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros na exportação

Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer

E quando longe de casa
Ferido e com frio o inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra

Que belíssimas cenas de destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que Deus está
Do lado de quem vai vencer

O senhor da guerra não gosta de crianças
O senhor da guerra não gosta de crianças
O senhor da guerra não gosta de crianças
O senhor da guerra não gosta de crianças
O senhor da guerra não gosta de crianças
O senhor da guerra não gosta de crianças

METAL CONTRA AS NUVENS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

I

Não sou escravo de ninguém
Ninguém é senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor e tenho
E temo o que agora se desfaz.

Viajamos Sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.

Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Reconheço o meu pesar:
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.

Minha terra 
É a terra que é minha
E sempre ser

Minha terra
Tem a lua, tem estrelas e sempre ter

II 

Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa

Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade

Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo.
Mas vou aguardar o meu tesouro
Caso você esteja mentido

Olha o sopro do dragão.

III

É a verdade o que assombra,
O descaso o que condena,
A estupidez o que destrói.

Eu vejo tudo o que se foi
E o que não existe mais.
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.

Esta é a terra de ninguém
E sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos

Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar 
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

IV
Tudo passa, tudo passar

E nossa estória, não estar 
Pelo avesso assim / Sem final feliz.
Teremos coisas bonitas prá contar.

E até lá vamos viver / Temos muito ainda por fazer.
Não olhe para trás 
Apenas começamos

O mundo começa agora 
Apenas começamos.

 

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METRÓPOLE
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/ Marcelo Bonfá 

"É sangue mesmo, não é mertiolate."
E todos querem ver
E comentar a novidade.

"Ó tão emocionante um acidente de verdade."
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre:

"- Vai passar na televisão."

"Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha, não tem atendimento 
Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor."

"- Todos com a documentação"

"- Quem não tem senha, não tem lugar marcado.
Eu sinto muito, mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver."

Ordens são ordens.

"- Em todo caso já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
P'ra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira 
E agora eu já vou indo senão eu perco a novela

E eu não quero ficar na mão."
MIL PEDAÇOS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Eu não me perdi
E mesmo assim você me abandonou
Você quis partir
E agora estou sozinho

Mas vou me acostumar
Com o silêncio em casa
Com um prato só na mesa

Eu não me perdi
O sândalo perfuma
O machado que o feriu
Adeus, adeus, adeus meu grande amor

E tanto faz
De tudo que ficou
Guardo um retrato teu
E a saudade mais bonita

Eu não me perdi
E mesmo assim ninguém me perdoou
Pobre coração - quando o teu
Estava comigo era tão bom.

Não sei por quê
Acontece assim e é sem querer
O que não era prá ser.

Vou fugir desta dor.
Meu amor, se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços.

 

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MONTE CASTELO
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo
Inc. Adapt. "I Coríntios 13" e "Soneto 11" de Luís de Camões

Ainda que eu falasse a língua do homens. 
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.

É só o amor, é isso o amor. 
Que conhece o que é verdade. 
O amor é bom, não quer o mal. 
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver. 
É ferida que dói e não se sente. 
É um contentamento descontente. 
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse a língua dos homens. 
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente. 
É um não contentar-se de contente. 
É cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade. 
É servir a quem vence, o vencedor; 
É um ter com quem nos mata a lealdade. 
Tão contrario a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem. 
Agora vejo em parte. Mas então veremos face a face.

É só o amor, é só o amor. 
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens. 
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.
MÚSICA AMBIENTE
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Se um dia fores embora
Te amarei bem mais do que está hora
Me lembrarei de tudo que eu não disse
E de quando havia tudo que existe

Quando choramos abraçados
E caminhamos lado a lado
Por favor amor acredite
Não há palavras para explicar o que eu sinto

Mesmo que tenhamos planejado
Um caminho diferente
Tenho mais do que eu preciso
Estar contigo é o bastante.

Certas coisas de todo dia
Nos trazem a alegria
Caminhamos juntos lado a lado por amor.

E quando eu for embora
Não, não chore por mim.

 

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MÚSICA DE TRABALHO
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Sem trabalho eu não sou nada
Não tenho dignidade
Não sinto o meu valor
Não tenho identidade

Mas o que eu tenho 
É só um emprego
E um salário miserável
Eu tenho o meu ofício
Que me cansa de verdade

Tem gente que não tem nada
E outros que tem mais do que precisam
Tem gente que não quer saber de trabalhar

E quando chega o fim do dia
Eu só penso em descançar
E voltar prá casa pros teus braços

Quem sabe esquecer um pouco
De todo o meu cansaço
Nossa vida não é boa
E nem podemos reclamar

Sei que existe injustiça
Eu sei o que acontece
Tenho medo da polícia
Eu sei o que acontece

Se você não segue as ordens
Se você não obedece
E não suporta o sofrimento
Está condenado a miséria

Mas isso eu não aceito
Eu sei o que acontece
Mas isso eu não aceito
Eu sei o que acontece

E quando chega o fim do dia
Eu só penso em descançar
E voltar prá casa pros teus braços

Quem sabe esquecer um pouco
Do pouco que não temos
Quem sabe esquecer um pouco
De tudo que não sabemos
MUSICA URBANA II
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Em cima dos telhados as antenas de TV tocam música urbana
Nas ruas os mendigos com esparadrapos podres
Cantam música urbana.

Motocicletas querendo atenção às três da manha 
É só música urbana.

Os PM's armados e as tropas de choque vomitam música urbana
E nas escolas as crianças aprendem a repetir a música urbana.
Nos bares os viciados sempre tentam conseguir a música urbana.

O vento forte seco e sujo em cantos de concreto
Parece música urbana
E a matilha de crianças sujas no meio da rua 
Música urbana.

E nos pontos de ônibus estão todos ali: música urbana

Os uniformes, os cartazes
Cinemas e os lares
Favelas, coberturas
Quase todos os lugares.

E mais uma criança nasceu.

Não há mentiras nem verdades aqui
Só há música urbana.

Yeah, música urbana

 

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NATÁLIA
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Vamos falar de pesticidas / E de tragédias radioativas
De doenças incuráveis / Vamos falar de sua vida

Preste atenção ao que eles dizem
Ter esperança é hipocrisia
A felicidade é uma mentira
E a mentira é a salvação

Beba deste sangue imundo
E você conseguir dinheiro
E quando o circo pegar fogo
Somos os animais na jaula

Mas você só quer algodão doce

Não confunda ética com éter
Quando penso em você eu tenho febre

Mas quem sabe um dia
Eu escrevo uma canção prá você
Quem sabe um dia
Eu escrevo uma canção prá você

É complicado estar só
Quem está sozinho que o diga
Quando a tristeza é sempre o ponto de partida
Quando tudo é solidão

É preciso acreditar num novo dia
Na nossa grande geração perdida
Nos meninos e meninas
Nos trevos de quatro folhas

A escuridão ainda é pior / Que essa luz cinza
Mas estamos vivos ainda

E quem sabe um dia
Eu escrevo uma canção prá você
Quem sabe um dia
Eu escrevo uma canção prá você
O DESCOBRIMENTO DO BRASIL
Letra: Renato Russo
Música: Marcelo Bonfá


Ela me disse que trabalha no correio
E que namora um menino eletricista
Estou pensando em casamento,
Mas não quero me casar.

Quem modelou teu rosto?
Quem viu a tua alma entrando?
Quem viu a tua alma entrar?

Quem são teus inimigos?
Quem é de tua cria?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança.

Ser que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração?

Quem está agora a teu lado?
Quem para sempre está?
Quem para sempre estar?

Ela me disse que trabalha no correio
E que namora um menino eletricista
As famílias se conhecem bem
E são amigas nesta vida.

Ser que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração?

A gente quer é um lugar prá gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego.

Estou pensando em casamento
Mas 'ainda não posso me casar.
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita.

 

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O LIVRO DOS DIAS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Ausente o encanto antes cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado

Meu coração não quer deixar
Meu corpo descansar
E teu desejo inverso é velho amigo
JÁ que o tenho sempre a meu lado

Hoje estão aceitas pelo nome
O que perfeito entregas mas é tarde
Só daria certo aos dois que tentam
Se ainda embriagado pela fome

Exatos teu perdão e tua idade
O indulto a ti tomasse como bênção

Não esconda tristeza em mim
Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho
Força e cuidado

Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia dos nossos amores.
OS BARCOS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa Lobos/Renato Russo

Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo foras desiguais:
Qualquer um pode ver
Que isso terminou p'rá você.

São isso palavras: teço ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto
Um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos.

E a muito estou alheio e quem me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno:
Ó dor, se há - tentava, já não tento.

E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal faço cidade

E insisto que é virtude o que é entulho:
Baldio é o meu terreno e meu alarde.

Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade
Você com outro alguém.

E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver:
Isso terminou p'rá você.

 

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O MUNDO ANDA TÃO COMPLICADO
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperta o passo, por causa da garoa

Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é sua vez

Vem c meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
A mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão

Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som.

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
É a chave o que sempre esqueço.

Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo.
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
"- Estou com sono, vamos dormir!"

Vem c meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança do seu mundo
Por amor / Por amor.
O REGGAE
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo/Marcelo Bonfá

Ainda me lembro aos três anos de idade
O meu primeiro contato com as grades
O meu primeiro dia na escola
Como eu senti vontade de ir embora

Fazia tudo que eles quisessem
Acreditava em tudo que eles me dissessem
Me pediram para ter paciência
Falhei
Então gritaram: - Cresça e apareça!

Cresci e apareci e não vi nada
Aprendi o que era certo com a pessoa errada
Assistia o jornal da TV
E aprendi a roubar prá vencer
Nada era como eu imaginava
Nem as pessoas que eu tanto amava
Mas e daí, se é mesmo assim
Vou ver se tiro o melhor prá mim.

[solo]

Me ajuda se eu quiser
Me faz o que eu pedir
Não faz o que eu fizer
Mas não me deixe aqui

Ninguém me perguntou se eu estava pronto
E eu fiquei completamente tonto
Procurando descobrir a verdade
No meio das mentiras da cidade
Tentava ver o que existia de errado
Quantas crianças Deus já tinha matado.

Beberam meu sangue e não me deixam viver
Tem o meu destino pronto e não me deixam escolher
Vem falar de liberdade prá depois me prender
Pedem identidade prá depois me bater
Tiram todas minhas armas
Como posso me defender?
Vocês venceram está batalha
Quanto a guerra,
Vamos ver. 

 

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OS ANJOS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa Lobos

Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar.

Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá.

Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma 
Untada previamente
Com promessas não cumpridas

Adicione a seguir o ódio e a inveja
As dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espirito de porco,
Duas xícaras de indiferença
E um tablete e meio de preguiça.

Hoje não dá
Hoje não dá
Esta um dia tão bonito lá fora 
E eu quero brincar

Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar.

Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer?
Quero voar p'rá bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer

Só nos sobrou do amor
A falta que ficou.
O TEATRO DOS VAMPIROS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
(introdução: Canon de Pachelbel)

Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E desses dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos.

Este é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante 
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos

Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás 
E a cada hora que passa 
Envelhecemos dez semanas.

Vamos lá tudo bem - eu só quero me divertir
esquecer, dessa noite ter um lugar legal prá ir
JÁ entregamos o alvo e artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar.

Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei

Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir

Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás 
E a cada hora que passa 
Envelhecemos dez semanas.

Vamos lá tudo bem - eu só quero me divertir
esquecer, dessa noite ter um lugar legal prá ir
Já entregamos o alvo e artilharia
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém.

 

 

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MARCIANOS INVADEM A TERRA
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Diga adeus e atravesse a rua

Voamos alto depois das duas

Mas as cervejas acabaram e os cigarros também.

 

Cuidado com a coisa coisando por aí

A coisa coisa sempre e também coisa por aqui 

Seqüestra o seu resgate, envenena sua atenção;

É verbo e substantivo / adjetivo e palavrão.

 

E o carinha do rádio não quer calar a boca

E quer o meu dinheiro e as minhas opiniões

Ora, se você quiser se divertir,

Invente suas próprias canções.

 

Será que existe vida em Marte?

Janelas de hotéis

Garagens vazias

Fronteiras

Granadas

Lençóis

 

E existem muitos formatos

Que só tem verniz e não tem invenção 

E tudo aquilo contra o que sempre lutam 

É exatamente tudo aquilo que eles são 

 

Marcianos invadem a Terra

Estão inflando o meu ego com ar

E quando acho que estou quase chegando 

Tenho que dobrar mais uma esquina

E mesmo se eu tiver a minha liberdade

Não tenho tanto tempo assim

E mesmo se eu tiver a minha liberdade:

"Será que existe vida em Marte?"

 

 

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