Legião Urbana

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DANIEL NA COVA DOS LEÕES Letra: Renato Russo Música: Renato Russo/Renato Rocha Aquele gosto amargo do teu corpo Ficou na minha boca por mais tempo: De amargo e então salgado ficou doce, Assim que o teu cheiro forte e lento Fez casa nos meus braços e ainda leve E forte e cego e tenso fez saber Que ainda era muito e muito pouco. Faço nosso o meu segredo mais sincero E desafio o instinto dissonante. A insegurança não me ataca quando erro E o teu momento passa a ser o meu instante. E o teu medo de ter medo de ter medo Não faz da minha força confusão: Teu corpo é meu espelho e em ti navego E sei que tua correnteza não tem direção. [solo] Mas, tão certo quanto o erro de ser barco A motor e insistir em usar os remos, É o mal que a água faz quando se afoga E o salva-vidas não está lá porque não vemos. |
DEPOIS DO COMEÇO Letra: Renato Russo Música: Renato Russo Vamos deixar as janelas abertas Deixar o equilíbrio ir embora Cair como um saxofone na calçada Amarrar um fio de cobre no pescoço Acender um intervalo pelo filtro Usar um extintor como lençol Jogar pólo-aquático na cama Ficar deslizando pelo teto Da nossa casa cega e medieval Cantar canções em línguas estranhas Retalhar as cortinas desarmadas Com a faca surda que a fé sujou Desarmar os brinquedos indecentes E a indecência pura dos retratos no salão Vamos beber livros e mastigar tapetes Catar pontas de cigarro nas paredes Abrir a geladeira e deixar o vento sair Cuspir um dia qualquer no futuro De quem já desapareceu Deus, Deus, somos todos ateus Vamos cortar os cabelos do príncipe E entregá-los a um Deus plebeu E depois do começo O que vier vai começar a ser o fim. E depois do começo O que vier vai começar a ser o fim. E depois do começo O que vier vai começar a ser o fim. E depois do começo O que vier vai começar a ser o fim. |
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DEZESSEIS Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá João Roberto era o maioral O nosso Johnny era um cara legal Ele tinha um Opala metálico azul Era o rei dos pegas na Asa Sul E em todo lugar Quando ele pegava no violão Conquistava as meninas E quem mais quisesse ver Sabia tudo da Janis Do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones Mas de uns tempos prá cá Meio sem querer Alguma coisa aconteceu Johnny andava meio quieto demais Só que quase ninguém percebeu Johnny estava com um sorriso estranho Quando marcou um super pega no fim de semana Não vai ser no CASEB Nem no Lago Norte, nem na UnB As máquinas prontas Um ronco de motor A cidade inteira se movimentou E Johnny disse: "- Eu vou prá curva do Diabo em Sobradinho e vocês ?" E os motores sairam ligados a mil Prá estrada da morte o maior pega que existiu Só deu para ouvir, foi aquela explosão E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão No dia seguinte, falou o diretor: "- O aluno João Roberto não está mais entre nós Ele só tinha dezesseis. Que isso sirva de aviso prá vocês". E na saída da aula, foi estranho e bonito Todo o mundo cantando baixinho: Strawberry Fields Forever Strawberry Fields Forever E até hoje, quem se lembra Diz que não foi o caminhão Nem a curva fatal E nem a explosão Johnny era fera demais Prá vacilar assim E o que dizem que foi tudo Por causa de um coração partido Um coração Bye, bye Johnny Johnny, bye, bye Bye, bye Johnny. |
DO ESPÍRITO Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá Sai de mim Que eu não quero mais saber de você Esse "- Eu te quero." já não me convence mais E agora já nem me incomoda Sai de mim, não gosto de ser rejeitado E agora não tem volta. Eu pego o bonde andando Você pegou o bonde errado Sua curiosidade é m E a ignorância é vizinha da maldade E só porque eu tenho Não pense que é de mim que você Vai ter e conseguir o que não tem. Só estou aberto a quem sempre foi do bem E agora estou fechado prá você. Não, não, não venha prá cá Que eu não quero mais saber de você. Não, não, não venha prá cá Que eu não quero mais saber de você. Não me procura não Você não vai me achar Você não consegue entender. [solo] Não, não, não, venha prá cá Que eu não quero mais saber de você. Não, não, não, venha prá cá Que eu não quero mais saber de você. Não me procura não Você não vai me achar Você não consegue entender. |
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EDUARDO E MÔNICA Letra: Renato Russo Música: Renato Russo Quem um dia ira dizer Que existe razão Nas coisas feitas pelo coração? E quem ira dizer Que não existe razão? Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar: Ficou deitado e viu que horas eram Enquanto Mônica tomava um conhaque, Noutro canto da cidade, Como eles disseram. Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer E conversaram muito mesmo prá tentar se conhecer. Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse: "- Tem uma festa legal e a gente quer se divertir." Festa estranha, com gente esquisita: "- Eu não estou legal. Não aguento mais birita." E a Mônica riu e quis saber um pouco mais Sobre o boyzinho que tentava impressionar E o Eduardo, meio tonto, isso pensava em ir prá casa: "- É quase duas, eu vou me ferrar." Eduardo e Mônica trocaram telefone Depois telefonaram e decidiram se encontrar. O Eduardo sugeriu uma lanchonete Mas a Mônica queria ver o filme do Godard. Se encontraram então no parque da cidade A Mônica de moto e o Eduardo de camelo. O Eduardo achou estranho e melhor não comentar Mas a menina tinha tinta no cabelo. Eduardo e Mônica eram nada parecidos Ela era de Leão e ele tinha dezesseis. Ela fazia Medicina e falava alemão E ele ainda nas aulinhas de inglês. Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, De Van Gogh e dos Mutantes, De Caetano e de Rimbaud E o Eduardo gostava de novela E jogava futebol-de-botão com a seu avô. Ela falava coisas sobre o Planalto Central, Também magia e meditação. E o Eduardo ainda estava No esquema "escola - cinema - clube - televisão." E, mesmo com tudo diferente, Veio mesmo, de repente, Uma vontade de se ver E os dois se encontravam todo dia E a vontade crescia, Como tinha de ser. Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, Teatro e artesanato e foram viajar. A Mônica explicava pro Eduardo Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar: Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer E decidiu trabalhar; E ela se formou no mesmo mês Em que ele passou no vestibular. E os dois comemoraram juntos E também brigaram juntos, muitas vezes depois. E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, Que nem feijão com arroz. Construíram uma casa uns dois anos atrás Mais ou menos quando os gêmeos vieram Batalharam grana e seguraram legal A barra mais pesada que tiveram. Eduardo e Mônica voltaram prá Brasília E a nossa amizade da saudade no verão. Só que nessas f‚rias não vão viajar Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação. E quem um dia ira dizer Que existe razão Nas coisas feitas pelo o coração? E quem ira dizer Que não existe razão? |
EU ERA UM LOBISOMEM JUVENIL Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá Luz e sentido e palavra Palavra é que o coração não pensa. Ontem faltou água. Anteontem faltou luz. Teve torcida gritando quando a luz voltou. Não falo como você fala. Mas vejo bem o que você me diz. Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo. Prefiro acreditar no mundo do meu jeito. E você estava esperando voar. Mas como chegar até as nuvens com os p‚s no chão? O que sinto muitas vezes faz sentido. E outras vezes não descubro o motivo. Que me explica porque é que não consigo. Ver sentido no que sinto, o que procuro. O que desejo e o que faz parte do meu mundo. O arco-íris tem sete cores. E fui juiz supremo. Vai, vem embora . Volta Todos tem, todos tem suas próprias razões. Qual foi a semente que você plantou? Tudo acontece ao mesmo tempo. Nem eu mesmo sei direito o que está acontecendo. E daí, de hoje em diante. Todo dia vai ser o dia mais importante. Se você quiser, alguém prá ser isso seu. É isso não se esquecer: estarei aqui. Não digo nada, espero o vendaval passar. Por enquanto eu não sei O que você me falou me fez rir e pensar. Porque estou tão preocupado por estar tão preocupado assim? Mesmo se eu cantasse todas as canções. Todas as canções, todas as canções. Todas as canções do mundo. Sou bicho do mato mas... Se você quiser alguém prá ser isso seu. É só não se esquecer: estarei aqui. Ou então não ter jamais a chave do meu coração. |
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EU SEI Letra: Renato Russo Música: Renato Russo Sexo verbal não faz meu estilo Palavras são erros e os erros são seus Não quero lembrar que eu erro também Um dia pretendo tentar descobrir Porque é mais forte quem sabe mentir Não quero lembrar que eu minto também Eu sei Feche a porta do seu quarto Porque se toca o telefone pode ser alguém Com quem você quer falar Por horas e horas e horas A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você Mas não, não vá agora, quero honras e promessas Lembranças e estórias Somos pássaro novo longe do ninho Eu sei |
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ESPERANDO POR MIM Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá Acho que você não percebeu Que o meu sorriso era sincero Sou tão cínico às vezes O tempo todo Estou tentando me defender Digam o que disserem O mal do século é a solidão Cada um de nós imerso em sua própria arrogância Esperando por um pouco de afeição Hoje não estava nada bem Mas a tempestade me distrai Gosto dos pingos de chuva Dos relâmpagos e dos trovões Hoje à tarde foi um dia bom Saí prá caminhar com meu pai Conversamos sobre coisas da vida E tivemos um momento de paz É de noite que tudo faz sentido No silêncio eu não ouço meus gritos E o que disserem Meu pai sempre esteve esperando por mim E o que disserem Minha mãe sempre esteve esperando por mim E o que disserem Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim E o que disserem Agora meu filho espera por mim Estamos vivendo E o que disserem Os nossos dias serão para sempre. |
FÁBRICA Letra: Renato Russo Música: Renato Russo Nosso dia vai chegar Teremos nossa vez. Não é pedir demais: Quero justiça, Quero trabalhar em paz. Não é muito o que eu lhe peço Eu quero trabalho honesto Em vez de escravidão. Deve haver algum lugar Onde o mais forte Não consegue escravizar Quem não tem chance. De onde vem a indiferença Temperada a ferro e fogo? Quem aguarda os portões da fabrica? O céu já foi azul, mas agora é cinza E o que era verde aqui já não existe mais. Quem me dera acreditar Que não acontece nada de tanto brincar com fogo. Que venha o fogo então. [solo] Esse ar deixou minha vista cansada, Nada demais. |
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FEEDBACK SONG FOR A DYING FRIEND Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá Soothe young man sweating forehead Touch the naked stem held hidden there Safe in such dark hayseed Wired nest Then, his light brown eyes are quick Once touch is what he thought was grip This is not his hands Those there but mine And safe my hands Do seek to gain All knowledge of My master's mainly rain The scented taste That stills my tongue Is wrong that set But not undone His fiery eyes Can slash my savage skin And force all seriousness away He wades in close waters Deep sleeps alter his senses I must obey my only rival He will command our twin revival [arabian interlude] The same, Insane Sustain Again The two of us so close to our own hearts I silenced and wrote this awe Of the coincidence |
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FAROESTE CABOCLO Letra: Renato Russo Música: Renato Russo Não tinha medo o tal João de Santo Cristo Era o que todos diziam quando ele se perdeu Deixou prá trás todo o marasmo da fazenda Só prá sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu Quando criança só pensava em ser bandido Ainda mais quando com tiro de soldado o pai morreu Era o terror da cercania onde morava E na escola até o professor com ele aprendeu Ia prá igreja só prá roubar o dinheiro Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar Sentia mesmo que era mesmo diferente Sentia que aquilo ali não era o seu lugar Ele queria sair para ver o mar E as coisas que ele via na televisão Juntou dinheiro para poder viajar E de escolha própria escolheu a solidão Comia todas as menininhas da cidade De tanto brincar de médico aos doze era professor Aos quinze foi mandado pro reformatório Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror Não entendia como a vida funcionava Descriminação por causa da sua classe e sua cor Ficou cansado de tentar achar resposta E comprou uma passagem foi direto a Salvador E lá chegando foi tomar um cafezinho E encontrou um boiadeiro com quem foi falar E o boiadeiro tinha uma passagem Ia perder a viagem mas João foi lhe salvar: Dizia ele "- Estou indo prá Brasília Nesse país lugar melhor não há Tô precisando visitar a minha filha Eu fico aqui e você vai no meu lugar" E João aceitou sua proposta E num ônibus entrou no Planalto Central Ele ficou bestificado com a cidade Saindo da rodoviária viu as luzes de natal "- Meu Deus mas que cidade linda! No Ano Novo eu começo a trabalhar" Cortar madeira aprendiz de carpinteiro Ganhava cem mil pro mês em Taguatinga Na sexta feira foi prá zona da cidade Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador E conhecia muita gente interessante Até um neto bastardo do seu bisavô Um peruano que vivia na Bolívia E muitas coisas trazia de l Seu nome era Pablo e ele dizia Que um negócio ele ia começar E Santo Cristo até a morte trabalhava Mas o dinheiro não dava prá ele se alimentar E ouvia às sete horas o noticiário Que dizia sempre que seu ministro ia ajudar Mas ele não queria mais conversa E decidiu que como Pablo ele ia se virar Elaborou mais uma vez seu plano santo E sem ser crucificado a plantação foi começar Logo, logo os maluco da cidade Souberam da novidade "- Tem bagulho bom ai!" E João de Santo Cristo ficou rico E acabou com todos os traficantes dali Fez amigos, freqüentava a Asa Norte Ia prá festa de Rock prá se libertar Mas de repente Sob um má influência dos boyzinhos da cidade Começou a roubar JÁ no primeiro roubo ele dançou E pro inferno ele foi pela primeira vez Violência e estupro do seu corpo "- Vocês vão ver, eu vou pegar vocês!" Agora Santo Cristo era bandido Destemido e temido no Distrito Federal Não tinha nenhum medo de polícia Capitão ou traficante, Playboy ou general Foi quando conheceu uma menina E de todos os seus pecados ele se arrependeu Maria Lúcia era uma menina linda E o coração dele prá ela o Santo Cristo prometeu Ele dizia que queria se casar E carpinteiro ele voltou a ser "- Maria Lúcia eu prá sempre vou te amar E um filho com você eu quero ter" O tempo passa E um dia vem na porta um senhor de alta classe com dinheiro na mão E ele faz uma proposta indecorosa E diz que espera uma resposta, uma resposta de João "- Não boto bomba em banca de jornal E nem em colégio de criança Isso eu não faço não E não protejo general de dez estrelas Que fica atrás da mesa com o cú na mão E é melhor o senhor sair da minha casa Nunca brinque com um peixe de ascendente escorpião" Mas antes de sair, com ódio no olhar O velho disse: "- Você perdeu a sua vida, meu irmão!" "- Você perdeu a sua vida, meu irmão" "- Você perdeu a sua vida, meu irmão" Essas palavras vão entrar no coração "- Eu vou sofrer as conseqüências como um cão." Não é que o Santo Cristo estava certo Seu futuro era incerto E ele não foi trabalhar Se embebedou e no meio da bebedeira Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar Falou com Pablo que queria um parceiro Que também tinha dinheiro e queria se armar Pablo trazia o contrabando da Bolívia E Santo Cristo revendia em Planaltina Mas acontece que um tal de Jeremias Traficante de renome apareceu por l Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo E decidiu que com João ele ia acabar. Mas Pablo trouxe uma Winchester 22 E Santo Cristo já sabia atirar E decidiu usar a arma só depois Que Jeremias começasse a brigar Jeremias maconheiro sem vergonha Organizou a Roconha e fez todo mundo dançar Desvirginava mocinhas inocentes E dizia que era crente mas não sabia rezar E Santo Cristo há muito não ia prá casa E a saudade começou a apertar "- Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia Já está em tempo de a gente se casar" Chegando em casa então ele chorou E pro inferno ele foi pela segunda vez Com Maria Lúcia Jeremias se casou E um filho nela ele fez Santo Cristo era só ódio pro dentro E então o Jeremias prá um duelo ele chamou "- Amanhã, as duas horas na Ceilândia Em frente ao lote catorze é prá lá que eu vou E você pode escolher as suas armas Que eu acabo com você, seu porco traidor E mato também Maria Lúcia Aquela menina falsa prá que jurei o meu amor" E Santo Cristo não sabia o que fazer Quando viu o repórter da televisão Que a notícia do duelo na TV Dizendo a hora o local e a razão No sábado, então as duas horas Todo o povo sem demora Foi lá só prá assistir Um homem que atirava pelas costas E acertou o Santo Cristo E começou a sorrir Sentindo o sangue na garganta João olhou as bandeirinhas E o povo a aplaudir E olhou pro sorveteiro E prás câmeras e a gente da TV que filmava tudo ali E se lembrou de quando era uma criança E de tudo o que viveu até aqui E decidiu entrar de vez naquela dança "- Se a via-crucis virou circo, estou aqui." E nisso o sol cegou seus olhos E então Maria Lúcia ele reconheceu Ela trazia a Winchester 22 A arma que seu primo Pablo lhe deu "- Jeremias, eu sou homem. Coisa que você não é Eu não atiro pelas costas, não. Olha prá cá filha da puta sem vergonha D uma olhada no meu sangue E vem sentir o teu perdão" E Santo Cristo com a Winchester 22 Deu cinco tiros no bandido traidor Maria Lúcia se arrependeu depois E morreu junto com João, seu protetor O povo declarava que João de Santo Cristo Era santo porque sabia morrer E a alta burgesia da cidade não acreditava na história Que ele viram da TV E João não conseguiu o que queria Quando veio prá Brasília com o diabo ter Ele queria era falar com o presidente Prá ajudar toda essa gente que só faz... Sofrer... |
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