Legião Urbana

1965 - DUAS TRIBOS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Vou passar, quero ver
Volta aqui, vem você
Como foi, nem sentiu
Se era falso ou fevereiro

Temos paz, temos tempo
Chegou a hora e agora é aqui

Cortaram meus braços
Cortaram minhas mãos
Cortaram minhas pernas
Num dia de verão

Num dia de verão
Num dia de verão
Podia ser meu pai
Podia ser meu irmão

Não se esqueça, temos sorte
E agora é aqui

Quando querem transformar
Dignidade em doença

Quando querem transformar
Inteligência em traição

Quando querem transformar
Estupidez em recompensa

Quando querem transformar
Esperança em maldição

É o bem contra o mal
E você de que lado está ?
Estou do lado do bem
E você de que lado está ?

Estou do lado do bem
Com a luz e com os anjos

Mataram um menino
Tinha arma de verdade
Tinha arma nenhuma
Tinha arma de brinquedo

Eu tenho um autorama
Eu tenho Hanna-Barbera
Eu tenho pêra, uva e maçã
Eu tenho Guanabara
E modelos Revell

O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país

Em toda e qualquer situação
Eu quero tudo 
P'rá cima (4x)

1o DE JULHO
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo


Eu vejo que aprendi 
O quanto te ensinei
E nos teus braços que ele vai saber

Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez

O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que aguardei prá ti

Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
JÁ que não me entendes, não me julgues
Não me tentes

O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim

Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha, 
Minha irmã, minha menina

Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor

Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração

Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim

Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Ninguém sabia, ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha, 
Minha irmã, minha menina

Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor

Baby, baby, baby, baby
O que fazes por sonhar
É o mundo que vir prá ti e prá mim

Vamos descobrir o mundo juntos baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor, meu amor
Baby

 

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VINTE E NOVE
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo


Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
(Já que você não me quer mais.)

Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver.

Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.

E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez.

ANGRA DOS REIS
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo/Renato Rocha/Marcelo Bonfá

Deixa, se fosse sempre assim quente
Deita aqui perto de mim
Tem dias em que tudo está em paz
E agora os dias são iguais

Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora que estou sozinho
Mas não venha me roubar

Vamos brincar perto da usina
Deixa prá lá a angra é dos reis
Por que se explicar se não existe perigo?

Senti seu coração perfeito 
Batendo … toa e isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora que estou sozinho
Mas não venha me roubar

Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi

Mesmo se as estrelas começassem a cair
E a luz queimasse tudo ao redor 
E fosse o fim chegando cedo
E você visse nosso corpo em chamas
Deixa prá lá

Quando as estrelas começarem a cair
Me diz, me diz prá onde a gente vai fugir?

 

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A DANÇA
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Não sei o que é direito

Isso vejo preconceito
E a sua roupa nova

É só uma roupa nova
Você não tem idéias

Prá acompanhar a moda
Tratando as meninas

Como se fossem lixo
Ou então espécie rara

Só a você pertence
Ou então espécie rara

Que você não respeita
Ou então espécie rara

Que é isso um objeto
Prá usar e jogar fora

Depois de ter prazer.
Você é tão moderno

Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais

É só questão de idade
Passando dessa fase

Tanto fez e tanto faz.
Você com as suas drogas

E as suas teorias / E a sua rebeldia / E a sua solidão
Vive com seus excessos

Mas não tem mais dinheiro
Prá comprar outra fuga

Sair de casa então
Então é outra festa / É outra sexta-feira
Que se dane o futuro / Você tem a vida inteira
Você é tão esperto / Você está tão certo
Mas você nunca dançou / Com ódio de verdade.
Você é tão esperto / Você está tão certo
Que você nunca vai errar / Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado / Se um dia você dançar.
[solo]
Nós somos tão modernos
Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar.

A FONTE
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá


O que há de errado comigo ?
Não consigo encontrar abrigo
Meu país é campo inimigo
E você finge que vê mas não vê

Lave suas mãos que é a sua porta que irão bater
Mas antes você ver seus pequenos filhos trazendo novidades

Quantas crianças foram mortas desta vez ?
Não faça com os outros 
O que você não quer que seja feito com você
Você finge que não vê e isso d câncer

Não sei mais do que sou capaz. 
Esperança, teus lençóis tem cheiro de doença
E veja que da fonte sou os quilômetros adiante

Celebro todo dia
Minha vida e meus amigos
Eu acredito em mim
E continuo limpo

Você acha que sabe mas você não vê que a maldade é prejuízo
O que há de errado comigo ? Eu não sei nada e continuo limpo

Do lado do cipreste branco
À esquerda da entrada do inferno
Está a fonte do esquecimento
Vou mais além, não bebo desta água
Chego ao lago da memória
Que tem água pura e fresca
E digo aos guardiões da entrada:
- Sou filho da Terra e do Céu

Dai me de beber que tenho uma sede sem fim
Olhe nos meus olhos, sou o homem-tocha
Me tira essa vergonha
Me liberta dessa culpa
Me arranca esse ódio
Me livra desse medo

Olhe nos meus olhos, sou o homem-tocha
E está é uma canção de amor
E está é uma canção de amor
E está é uma canção de amor

 

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A MONTANHA MÁGICA
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá


Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio sorriso, meia-lua, toda tarde.

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal.

Ficou logo o que tinha ido embora.
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora.

Para que servem os anjos?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem

Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é coincidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal.

Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mas estou pronto prá mais uma
O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas?

O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes 
Agora só artesanato
O resto são escombros.

Mas é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio 38

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
Chega - vou mudar a minha vida
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol num copo d'água.

ACRYLIC ON CANVAS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/ Marcelo Bonfá 


É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho 
Mais perfeito que se fez

Os traços copiei
Do que não aconteceu
As cores que escolhi
Dentre as tintas que inventei

Misturei com a promessa
Que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três

Trabalhei você / Em luz e sombra

E era sempre: "- Não foi por mal.
- Eu juro que nunca quis deixar você tão triste"

Sempre as mesmas "desculpas"
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são.

Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis
Que não chegamos a sujar

A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete

E com as lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
E da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz então, pincéis com seus cabelos

Fiz carvão do batom que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte.

E era sempre: "- Não foi por mal.
- Eu juro que não foi por mal, eu não queria machucar você. Prometo que isso não vai acontecer mais uma vez"

E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição

Ás vezes é difícil esquecer:
"- Sinto muito, ela não mora mais aqui".

Mas então porque eu finjo
Que acredito no que invento
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito.

Ninguém sofreu
E é só você
Que provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De Amor-Perfeito e 
Não-Te-Esqueças-De-Mim.

 

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AINDA É CEDO
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá/Ico Ouro-Preto

Uma menina me ensinou
Quase tudo o que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei

Ela fazia muitos planos
Eu isso queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir

Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar.

Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
Eu me agarrava nela
Porque eu não tinha mais ninguém.

E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo
cedo
cedo
cedo

[solo]

Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei.

Ela falou: - Você tem medo.
Am eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia 
Nunca ser dito por ninguém

Ela me disse:
"- Eu não sei mais o que eu sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê."

E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo
cedo
cedo.


A VIA LÁCTEA
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá


Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz

Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecer uma lágrima

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor

Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa

Amanhã é um outro dia
Não é ?

Eu nem sei porque me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção

Mas obrigado por pensar em mim

Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho

Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou

Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim

Não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim



 

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ALOHA
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Ser que ninguém vê 
O caos em que vivemos ?
Os jovens são tão jovens 
E fica tudo por isso mesmo

A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber

Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema
E de coisas naturais
E penso sempre em sexo, oh yeah!

Todo adulto tem inveja dos mais jovens

A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar por que é que o mundo
É este desastre que aí está

Eu não sei, eu não sei

Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam

E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha, oh yeah!

E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar

E mentir, mentir, mentir
E matar, matar, matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança

Que se faça o sacrifício
E cresçam logo as crianças

ANDRÉA DÓRIA
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Ás vezes parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.

Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente,
Quase parecendo te ferir.

Não queria te ver assim 
Quero a tua força como era antes.
O que tens é isso teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.

Ás vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.

Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim.

Nada mais vai me ferir.
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada que segui
E com a minha própria lei.

Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais,
Como sei que tens também.

 

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CONEXÃO AMAZÔNICA
Letra: Renato Russo 
Música: Felipe Lemos


Estou cansado de ouvir falar
Em Freud, Jung, Engels, Marx
Intrigas intelectuais rodando em mesa de bar
Yeah, Yeah, Yeah,

O que eu quero eu não tenho 
O que eu não tenho eu quero ter
Não posso ter o que eu quero
E acho que isto não tem nada a ver
Yeah, Yeah, Yeah,

Os tambores da selva já começaram a rufar
Os tambores da selva já começaram a rufar
A cocaína não vai chegar
A cocaína não vai chegar
Conexão amazônica está interrompida
Yeah, Yeah, Yeah,

E você quer ficar maluco sem dinheiro e acha que está tudo bem 
Mas alimento prá cabeça nunca vai matar a fome de ninguém
Uma peregrinação involuntária talvez fosse a solução
Auto-exílio nada mais é do que ter seu coração na solidão
Yeah, Yeah, Yeah,

Estou cansado de ouvir falar
Em Freud, Jung, Engels, Marx
Intrigas intelectuais rodando em mesa de bar
Yeah, Yeah, Yeah,

BAADER-MEINHOF BLUES
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre vê
Apartamentos acessos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também.

Andando nas ruas
Pensei que podia ouvir
Alguém me chamando
Dizendo meu nome.

JÁ estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar ao próximo é tão demode.

Essa justiça desafinada
É tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também
Qual é a diferença?

Não estatize meus sentimentos
Prá seu governo,
O meu estado é independente.

 

 

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